«Eu sou aquele oculto e grande Cabo / A quem chamais vós outros Tormentório.»
No canto V d'Os Lusíadas, quando a frota de Vasco da Gama chega ao extremo sul de África, ergue-se do mar uma figura «de disforme e grandíssima estatura». É o Adamastor: um titã condenado a ser rocha, o próprio Cabo, por ter amado a nereida Tétis e sido enganado por ela.
Ele ameaça. Promete naufrágios a quem passar. Mas quem lê com atenção percebe que o gigante não é um monstro: é um homem preso numa pedra a ver passar quem vai fazer o que ele nunca pôde. É o medo do fim do mundo conhecido, e é também a raiva de quem foi deixado para trás.
Porquê ele
Porque é o único monstro da literatura portuguesa que nasceu do mar e ficou lá. Porque é feio, é grande, tem saudades e não pede desculpa. E porque o Cabo das Tormentas foi rebaptizado Cabo da Boa Esperança por quem o conseguiu dobrar, e nós gostamos mais do nome antigo.
A Adamastor Clothing faz t-shirts como se fossem cartas náuticas do século XVI: a preto e osso, em gravura, com o mar sempre à vista. Umas contam o gigante, outras a saudade, outras as bandas que ouvimos enquanto desenhamos. Todas se produzem à encomenda, aqui, uma de cada vez.
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